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Lula amarra investimentos sociais para além de 2014

PAC_2

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o segundo Programa de Aceleração do Crescimento – PAC 2 – no qual amarra investimentos que vão além de 2014 nas áreas social e de infraestrutura. Serão R$ 1,5 trilhão de reais que alcançarão até o governo do sucessor do seu sucessor, num conjunto de obras que permitirão ao Brasil atingir nos próximos anos a dimensão de potência regional que lhe está reservada.

É natural que um projeto dessa ordem receba críticas da oposição, principalmente porque estamos em um ano eleitoral e porque o governo poderá colher dividendos em favor da sua candidata à Presidência da República. Mas a queixa não procede, tendo em vista que o candidato da oposição também está num ritmo acelerado de inaugurações, onde se incluiu até a maquete de uma ponte que ainda não tem recursos definidos para a sua construção.

Ademais, o mandato de Lula ainda não acabou. Ele tem até o dia 31 de dezembro deste ano para governar em toda a sua plenitude propondo novos projetos para o país e destinando recursos para a sua execução via o Orçamento Geral da União e o Plano Plurianual de Investimentos, que não são apenas da sua competência. São ações que se incluem entre as suas obrigações de fazer sob pena de cometer como governante crime de responsabilidade.

Picuinhas políticas à parte, o programa tem a vantagem de deixar projetos prioritários definidos para o próximo governo. Entre as ações na área social está a construção de 6 mil creches, uma reivindicação antiga das mães brasileiras, especialmente as de baixa-renda, que poderão trabalhar com a tranqüilidade de saber que seus filhos estarão sob cuidados de profissionais.

Como observou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o PAC 2 dará sustentabilidade ao desenvolvimento brasileiro até 2014, a exemplo do que vem ocorrendo com o PAC 1. Segundo o ministro, a economia deverá continuar crescendo a uma média de 5,5% ao ano até o final do próximo governo. No lançamento do PAC 1 a economia crescia a 4%, índice que chegou a 6,1% em 2007. Além disso, foram as obras do PAC que permitiram ao Brasil sair rapidamente da crise internacional.

Se a oposição chia politicamente, o PAC 2 já recebe elogios pelo lado econômico. Foi o caso da Abdib (Associação Brasileira da Indústria de Base) que ao apoiar o novo programa sugeriu ainda que fosse ampliado e aperfeiçoado. De acordo com a Abdib, o modelo de gestão do PAC tem ajudado a resolver problemas na condução dos projetos de investimento no país. A entidade ressaltou que o programa, ao prestar contas periodicamente, permite a crítica e a cobrança dos gestores responsáveis pelos projetos.

O setor da construção civil comemorou a prioridade dada ao segmento habitacional no lançamento da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, mas está preocupado com a continuidade das obras no próximo governo. “A gente acredita que os candidatos não vão alterar [o programa], porque isso faz parte de um anseio da população brasileira”, disse o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Sinduscon/RJ), Roberto Kauffmann.

Na sua avaliação, as obras na área habitacional já estão avançando bem em todo o país. “A gente acha que é importante o governo reforçar o projeto Minha Casa, Minha Vida, porque, de fato, nós precisamos ter um volume grande de obras para reduzir o déficit habitacional e proporcionar moradia digna para as famílias”, disse.

O presidente do Sinduscon/RJ disse que o setor da construção está preocupado com a formação de mão de obra e está tomando uma série de medidas com o objetivo de qualificar os empregados do setor, tendo em vista o aumento do volume de obras. “Se Deus quiser, nós não vamos ter problemas nem de mão de obra nem de materiais, porque as indústrias estão se estruturando para ter uma produção maior.”

Geraldo Seabra

Com informações da Agência Brasil

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