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Meirelles deve anunciar nesta quarta sua permanência no Banco Central

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O presidente do Banco Central. Henrique Meirelles, deve anunciar nesta quarta-feira (30) a decisão de permanecer no cargo até o final do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe fez um apelo pessoal para não trocar o governo pela aventura de uma candidatura ao Senado pelo PMDB de Goiás.

A permanência de Meirelles no cargo deve-se também a outro fator. O PMDB não abre mão da candidatura do presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), para ser o companheiro de chapa da a esta altura já ex-ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que vai disputar a sucessão de Lula pelo PT.

Como o PMDB bateu pé em favor da candidatura de Temer a vice-presidente, Meirelles precisou desistir de seu projeto maior, que mirava esse cargo. O partido sequer considerou a sua indicação tendo em vista o pouco tempo de praia do presidente do BC nas hostes peemedebistas, onde desembarcou no ano passado.

Mas nem tudo está perdido para Meirelles, que no primeiro mandato de Lula renunciou à sua cadeira de deputado federal pelo PSDB de Goiás – depois de ter sido presidente mundial do Banco de Boston – para comandar a política monetária. Em caso de vitória de Dilma, ele deverá ser o ministro da Fazenda.

Com a continuação de Meirelles à frente do BC Lula não terá problemas de solução de continuidade na política monetária do governo. Isso permitirá ao presidente abortar qualquer tentativa da oposição de tumultuar a política econômica, como ocorreu na sua primeira eleição quando um terrorismo econômico do PSDB para desacreditá-lo perante os investidores elevou o dólar a R$ 4,00.

A presença de Meirelles também servirá para conter eventuais críticas da oposição à política monetária do governo durante a campanha eleitoral. Como Meirelles foi eleito deputado federal pelo PSDB antes de chegar ao governo, os tucanos acusam Lula de ter mantido a política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pelo menos em tese, essa política não pode ser contestada pelo PSDB.

Mas só em tese mesmo, porque neste ano eleitoral os tucanos criticam até a taxa básica de juros do governo Lula que é menos da metade da praticada durante o governo FHC. No começo do ano, ela já foi alvo de críticas do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra.

Em entrevista à revista Veja, Guerra disse que em caso de eleição de Serra o partido mudaria a política de juros, a de metas de inflação e a de câmbio. Mas no dia seguinte ele foi desautorizado por um assessor de Serra. Com elogios Meirelles.

Geraldo Seabra

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