Vice do DEM põe o Rio na eleição e pode atrapalhar Dilma

O deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ), candidato oficial a vice-presidente na chapa do tucano José Serra, tem tudo para colocar uma pedra no sapato da candidata do PT, Dilma Rousseff. Embora sem expressão política, o deputado carioca vai colocar o seu estado na eleição presidencial em um cargo que o Rio de Janeiro só experimentou com Nilo Peçanha, eleito em 1906 vice do presidente Afonso Pena. Com a morte de Pena, em 1909, Nilo Peçanha completou o seu mandato.
Dividido entre três candidatos a governador – Sérgio Cabral, do PMDB, candidato a reeleição apoiando Dilma; Fernando Gabeira, do PV, apoiando Serra; e Anthony Garotinho, do PSC, também apoiando a candidata do PT – o Rio de Janeiro tem na candidatura de Índio da Costa a rara oportunidade e, ainda que muito remota, a possibilidade de voltar à Presidência da República um século depois. Isso é munição suficiente para mexer com o imprevisível eleitor carioca.
Ao dar ao Rio uma perspectiva presidencial, o desconhecido Índio da Costa (o próprio Serra só agora ficou sabendo da sua existência) corre o risco de se tornar na nova estrela da política brasileira. Se conseguir liderar parte do terceiro maior colégio eleitoral do país (depois de São Paulo e Minas, o Rio de Janeiro é o estado com maior número de eleitores) poderá causar algum estrago na candidatura do PT no estado, onde até hoje a ex-ministra Dilma Rousseff tinha ampla vantagem sobre Serra.
Em desvantagem também na maioria dos Estados brasileiros, segundo as últimas pesquisas eleitorais, Serra precisa tentar reduzir a diferença no número de votos que o separa de Dilma num estado de grande densidade eleitoral, mas também de grande volatilidade, como é o Rio de Janeiro, que tem tradição de eleger candidatos excêntricos. Esta foi também a razão da escolha para a vaga de vice-presidente do DEM ter recaído sobre o deputado carioca.
Condenando ao auto-extermínio caso não participasse da chapa de Serra, o DEM também ganha uma sobrevida como dono da vaga de vice-presidente. O partido agora terá no deputado Índio da Costa, relator do projeto que virou a lei da Ficha Limpa, uma referência para enfrentar o eleitor depois que seu único governador, José Roberto Arruda, do Distrito Federal, foi apeado do poder em meio ao escândalo de pagamento de propinas que ficou conhecido como “Mensalão do DEMâ€.
Geraldo Seabra
Comentários
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O vice de Serra torna-se no RJ um elemento renovador das posições pré-estabelecidas na campanha presidencial. É carioca, jovem, bonito, cara limpa e vencedor de 4 campanhas neste Estado. Como dizes tu é a possibilidade do Rio voltar ao governo central depois de 1 século. Índio representa a nova geração política, a esperança de um Brasi q retome a democracia, aprofunde a busca da ética na política, a responsabilidade na economia, o respeito com o cidadão, o investimento público. Índio representa para a juventude carioca e brasileira, o caminho para um Brasil de mais oportunidades, pois com Lula os jovens tem sérias dificuldades de entrar no mercado de trabalho.
Cara, não é por nada não: não conheço o Vice, não tenho porque ter críticas a ele, mas essa história de “jovem”, “bonito”, “cara limpa” já não deu certo uma vez. Foi uma grande decepção para o Brasil. Seria bem melhor se nos preocupássemos com características como “responsável”, “ético”, “competente”. Acho que nós é que temos que dar essa NOVA CARA para A POLÍTICA. Até quando vamos valorizar um rostinho charmoso como grande VALOR ético ou de capacidade? Infelizmente nossos candidatos não parecem espelhar nada de novo nesse campo… a única que incorpora algumas dessas características é “feia”, “velha”, “escurinha”, “nortista”… quem terá olhos para ver…
Prezado Seabra, esse papo de cara limpa (mas ficha suja), bonito e jovem é tipico da elite. Se o da Costa – filhote dos Maia – representa alguma coisa para o Rio coitado do meu Rio. Chega de pilantras no meu Rio de Janeiro. Acordem, cariocas!!!!