Projeto de Requião está fadado ao fracasso
Deve fracassar a reunião que o governador do Paraná, Roberto Requião, pretende realizar em Curitiba, no próximo dia 21, para a qual está convidando os presidentes dos 27 diretórios regionais do PMDB. Ele quer colocar em discussão o seu projeto para lançamento de uma candidatura própria do partido às eleições presidenciais do próximo ano, que tem tudo para dar errado.
É pouco provável que o governador consiga reunir tantos correligionários em Curitiba a essa altura do campeonato. O quorum deve lhe faltar porque a grande maioria dos peemedebistas já se decidiu pelo acordo com o PT para a formação da chapa que vai concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E os poucos dissidentes se alinharam ao PSDB.
Mas como o calendário indica que o dia 21 de novembro cairá num sábado, um bom roteiro turístico poderá contribuir para o sucesso da reunião. As cataratas do Iguaçu são sempre uma atração a parte. Mesmo assim, será difícil colocar em torno da mesma mesa as duas alas peemedebistas, a governista e os poucos oposicionistas, mais por questões pessoais que diferenças ideológicas.
A terceira via que Requião pretende abrir no PMDB não cabe no pragmatismo do partido, historicamente dividido em duas correntes, uma mais à esquerda, outra estacionada no centro. Esta sempre foi a corrente majoritária e mais pragmática do PMDB. Foram esses moderados que sempre privilegiaram a máxima de que é mais fácil, e menos oneroso, “estar governo†do que “ser governoâ€.
Foi assim desde que o partido subiu a rampa do Palácio do Planalto sob comoção nacional segurando as alças do caixão de Tancredo Neves, eleito presidente pela via indireta. Depois de lutar por duas décadas para derrubar a ditadura, morto Tancredo o partido colocou a faixa presidencial no peito do vice José Sarney, um dos pilares da sustentação do regime militar.
Desde então, importa ao partido, mais que hegemonia, ter os principais cargos do governo. Como ocorre hoje no governo Lula, onde o PMDB controla os ministérios das Comunicações, das Minas e Energia, da Saúde, da Integração Nacional, da Agricultura e o da Defesa e outros órgãos e empresas estatais.
Somados os orçamentos desses ministérios neste ano fiscal de 2009 são mais de R$ 260 bilhões de recursos públicos sob o comando do PMDB. É como se o partido governasse duas Argentinas, cujo orçamento federal equivale a R$ 106 bilhões.
Esse orçamento ajuda a irrigar os votos do partido em todo o país. São nove Estados, 1.231 prefeituras, sendo seis capitais, quase duas centenas de deputados estaduais e 8.500 vereadores. Além das maiores bancadas das duas casas do Congresso Nacional, o que dá ao PMDB o direito de presidir a Câmara e o Senado.
É contra esses números que Requião terá de argumentar, em defesa do seu projeto. Por isso, sua proposta já nasce fadada ao fracasso.

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