Noblat não deveria estranhar a edição do Correio Braziliense
O jornalista Ricardo Noblat estranhou em seu blog, neste domingo, que a edição do Correio Braziliense sofismava seu noticiário sobre as denúncias envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM), no escândalo da distribuição de propinas revelado pela Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.
Sob o título “Brasília, uma cidade sem imprensaâ€, o Blog do Noblat, publicado no portal do Globo, diz que o Correio cometeu o prodígio de noticiar o escândalo envolvendo Arruda sem citar o nome do governador, “livrando a sua caraâ€. Ex-diretor de redação do jornal, Noblat sabe muito bem como o Correio é editado.
O jornal valoriza suas notícias, no sentido de dar valor monetário no que for possível em suas páginas editoriais. De um acidente de ônibus a uma denúncia de corrupção no governo, a importância do fato para o Correio é diretamente proporcional ao interesse de quem está pagando para a notícia ser publicada ou ir para a cesta de lixo.
Nenhuma novidade, pois os jornais de Assis Chateubriand sempre funcionaram no toma lá, dá cá. É uma marca dos Diários Associados bajularem os governos, desde que eles sejam pródigos em lhes abrir os cofres. O Correio não foge à regra do seu fundador e só fecha a cara para aqueles governos avarentos. Não é o caso do governo Arruda.
Foi, por acaso, em determinada época, coincidentemente quando Noblat era diretor do Correio e membro do Condomínio dos Diários Associados, o caso do governo Joaquim Roriz, anterior ao de José Roberto Arruda. Como Roriz fechou a torneira dos recursos do GDF para o jornal, passou a receber ferrenha oposição do Correio.
Segundo o ex-deputado Wigberto Tartuce, durante reunião realizada em sua residência, numa chácara do Lago Sul, região nobre de Brasília, a direção do Correio teria exigido de Roriz um pagamento mensal de R$ 1 milhão para suspender o noticiário contrário aos interesses do seu governo. O governador não teria concordado em pagar.
Na mesma época, Roriz decidiu ter um jornal na capital e comprou o Jornal de Brasília, valendo-se de um empréstimo contratado junto ao BRB (Banco de Brasília), cujo controle acionário é do GDF. O empréstimo teria sido pago com a renda de anúncios do governo para o próprio jornal, o que irritou muito o Correio, uma vez que o jornal dirigido por Noblat perdeu parcela substancial do bolo publicitário do GDF.
O jornal também costuma dar tratamento especial em suas páginas editorais aos seus grandes anunciantes. É o caso do vice-governador Paulo Octávio, proprietário da Paulo Octávio Empreendimentos Imobiliários, e do empresário José Carlos Gontijo, dono da Construtora Gontijo. Juntos, eles são os maiores anunciantes privados do jornal. Por isso, envolvidos nas denúncias, também tiveram suas caras livradas pelo Correio.
Durante sua passagem pelo Correio, Noblat empreendeu importantes mudanças gráficas no jornal. Mas não conseguiu – se é que tentou – separar a redação do Departamento Comercial. A tentativa do Correio de esconder os fatos dos seus leitores, como ocorre agora, é uma prova de que Noblat por lá passou e deixou tudo como encontrou.
Geraldo Seabra
Comentários
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Gente, em vez de Correio Braziliense, leia-se Estado de Minas e em vez de Arruda, Aócio Never.
Noblat? É aquele que vendia manchetes qdo dirigia a redação desse mesmo Correio?
Em Minas, na época do Newtão(tão corrupto quanto o Roriz, diga-se), que também não atendia as pretenções da famiglia Associada, determinou que o jornal passasse para a oposição. Essa súcia, até hoje, não explicou direito aonde foi parar a grana do “OURO PARA O BEM DO BRASIL”. A geração de 55 para trás deve lembrar muito bem dessa ‘campanha’.
É verdade. Basta ver o peso do jornal, pois há dias que está carregado nas tintas…..
A mídia do Brasil inteiro está corrompida pelos políticos. Não votem em quem já teve algum processo de corrupção! Vamos mudar esse país.